Samuel é padre há quatorze anos na mesma paróquia. E padre de paróquia não tem hora pra comer, nem pra dormir, sempre tem uma missa, um velório, um doente pra visitar.
Na Quaresma passada apareceu algo no pé dele, do tamanho de uma moeda. Ele deixou pra lá. Era Semana Santa, tinha confissão, batismo, missa todo dia.
Foi Dona Neide que viu a perna dele roxa subindo no altar e mandou ele pro hospital naquela hora. Foi dito que ele tinha esperado demais. O que começou no pé já tinha subido pelas duas pernas. Tentaram salvar, mas não deu, e ele acabou ficando sem as duas pernas.

Ele voltou pra paróquia numa cadeira. As pessoas não pararam de vir, e ele continua celebrando toda missa. Mas ele não faz mais o gesto que aprendeu no seminário subir os degraus do altar, ficar em pé na consagração, levantar a hóstia diante do povo.
A prótese existe, mas custa muito, e a paróquia é humilde. E tem hora pra colocar: se passar de doze meses da operação, os músculos fraquejam e a prótese não encaixa mais. Ele já tá no décimo mês.

Ele passou quatorze anos ajudando o povo dele a levantar. Agora quem precisa levantar é ele.
O altar tá esperando. Faltam dois meses.
Quem quiser fazer parte dessa jornada, tudo pode se iniciar aqui em baixo:
